Como era a Sociedade Feudal???

Comparada aos dias de hoje, a sociedade feudal é reconhecida por uma mobilidade social bastante restrita. Em outras palavras, isso quer dizer que o indivíduo pertencente a uma determinada ordem acabaria se mantendo nela até o fim de sua vida. Dividia em três diferentes nichos, a sociedade dessa época está genericamente repartida entre clero, nobreza e campesinato.


Do ponto de vista cultural, a estabilidade desse modelo de organização pode ser 
compreendida através do forte sentimento religioso da época. Segundo a pesquisa de historiadores do quilate de Georges Duby, a organização social da Idade Média era encarada como um desígnio divino que deveria ser passivamente seguido por todos os cristãos. Ir contra as desigualdades e a exploração dessa época significava afrontar uma harmonia proveniente dos céus.
O clero ocupava o topo dessa hierarquia social. Entre os fins da Antiguidade e início da Idade Média, a Igreja estruturou um conjunto de normas que permitiu a disseminação do cristianismo por todo o mundo europeu. Além disso, os membros dessa ordem tinham grande influência entre os grandes proprietários e reis desse período. Ao longo do tempo, a própria instituição acumulou terras e conhecimento em uma época em que a leitura e a escrita era privilégio de poucos.
Logo em seguida temos a presença da nobreza, que detinha o controle sobre os feudos e todo o cenário político da época. Os grandes proprietários eram integrantes da alta nobreza, reconhecida pelos títulos de rei, príncipe, arquiduque, duque, marquês e conde. Abaixo tínhamos a pequena nobreza, sendo composta pelos viscondes, barões e cavaleiros. Estes últimos eram os mais expressivos representantes das forças militares que asseguravam a proteção das propriedades.
A maioria da população feudal era composta por camponeses. Eles eram responsáveis pelo trabalho nas terras e pela produção agrícola. Na maioria dos casos, os camponeses trabalhavam em regime de servidão e se submetiam às exigências de um senhor feudal. Vinculados a uma dura rotina de serviços, muitos camponeses esperavam que a penúria no mundo terreno fosse recompensada pela salvação de suas almas.

Além desses representantes fundamentais da sociedade medieval, ainda podemos falar sobre a existência dos vilões e dos escravos. O vilão era um indivíduo livre que oferecia sua força de trabalho temporariamente a um senhor feudal. Dessa forma, poderia transitar entre diferentes propriedades e estava livre dos vínculos servis tradicionais. Já os escravos eram bastante escassos nessa época e geralmente ficavam responsáveis pela realização de trabalhos domésticos.


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Conheça Os Povos Indígenas do Brasil: Antes e Depois da Chegada dos Portugueses | #agentesdahistoria

Ao falarmos sobre a história do Brasil, muitas vezes nos esquecemos de que, antes da chegada dos portugueses, o território já era habitado por milhões de indígenas. Estima-se que, no início do século XVI, cerca de 5 milhões de nativos viviam no que hoje chamamos de Brasil, organizados em diferentes povos e culturas. Mas quem eram esses primeiros habitantes e como foi o impacto do contato com os colonizadores? 
Vamos entender melhor essa história.


A Organização dos Povos Indígenas no Brasil Pré-Colonial

Os indígenas que viviam no Brasil antes da chegada dos europeus estavam divididos em diferentes grupos linguísticos, cada um com suas tradições e costumes. Os principais troncos eram:

  • Tupi-Guaranis – Habitavam o litoral e estavam entre os primeiros a entrar em contato com os portugueses.
  • Macro-Jê (Tapuias) – Viviam no interior, especialmente no Planalto Central.
  • Aruaques e Caraíbas – Estabelecidos na região amazônica, tinham forte influência cultural na área.

Apesar de sua diversidade, esses povos compartilhavam algumas características em comum. Eles viviam da caça, pesca e agricultura, plantando mandioca, milho, feijão e batata-doce. Utilizavam técnicas simples para preparar a terra, como a coivara (queima da vegetação para fertilizar o solo). Além disso, praticavam o artesanato, fabricando objetos de cerâmica, cestos e armas de madeira.

A sociedade indígena era organizada de forma comunitária, sem propriedade privada de terras. Todos tinham acesso aos recursos naturais, e a divisão do trabalho era feita com base no gênero e idade: enquanto as mulheres cuidavam da colheita e das crianças, os homens se dedicavam à caça, pesca e defesa da tribo.


O Primeiro Contato com os Portugueses

Quando os portugueses desembarcaram no Brasil em 1500, houve um primeiro momento de curiosidade e troca de presentes. Pero Vaz de Caminha, em sua famosa carta ao rei de Portugal, descreve os nativos como pessoas nuas, de corpo pintado e modos pacíficos. No entanto, essa convivência inicial logo deu lugar a conflitos e exploração.

Os europeus perceberam que os indígenas poderiam ser úteis na extração do pau-brasil, madeira valiosa que era exportada para a Europa. Para obter essa matéria-prima, recorreram ao escambo, trocando objetos de pouco valor, como espelhos e apitos, pelo trabalho dos nativos.

Com o tempo, essa relação se tornou mais violenta. Os portugueses passaram a escravizar indígenas para usá-los como mão de obra, principalmente na agricultura e na extração de madeira. Além disso, doenças europeias, como varíola e sarampo, devastaram inúmeras tribos, reduzindo drasticamente a população indígena.

Transformações na Cultura Indígena e Resistência

Outro impacto da colonização foi a tentativa de imposição da cultura europeia sobre os indígenas. Os missionários jesuítas, por exemplo, buscaram converter os nativos ao cristianismo e modificar seus costumes. Muitos foram obrigados a adotar hábitos europeus e abandonar sua língua e tradições.

Mesmo assim, houve resistência. Diversos povos lutaram contra a dominação portuguesa, seja por meio de guerras ou fugindo para regiões de difícil acesso. Algumas tribos, como os Guaranis e os Tupinambás, foram protagonistas de revoltas contra os colonizadores.

Além disso, algumas práticas indígenas foram preservadas, mesmo com a influência europeia. O uso de plantas medicinais, os rituais religiosos e a arte indígena continuam vivos até hoje em diversas comunidades.

Os Povos Indígenas na Atualidade

Atualmente, estima-se que cerca de 400 mil indígenas vivem no Brasil, distribuídos em aproximadamente 200 etnias e falantes de 170 línguas diferentes. No entanto, muitas dessas comunidades enfrentam desafios para manter sua identidade cultural, especialmente devido à expansão da agricultura, do desmatamento e das disputas por terras.

Mesmo assim, os povos indígenas seguem lutando pelo reconhecimento de seus direitos e pelo respeito às suas tradições. Muitas comunidades continuam a preservar sua língua, cultura e modo de vida, mostrando que a história indígena do Brasil não ficou apenas no passado, mas segue sendo construída no presente.

A palavra "curumim" é uma palavra de origem tupi que significa "criança" ou "menino".
No norte do Brasil, é comum usar o termo para se referir a crianças indígenas.
 

Dados Atualizados Sobre os Povos Indígenas no Brasil

De acordo com o Censo Demográfico de 2022, a população indígena no Brasil é de aproximadamente 1,7 milhão de pessoas, representando 0,83% da população total do país. Esses povos estão espalhados por cerca de 86% dos municípios brasileiros, com maior concentração na Região Norte.

O estado com a maior população indígena é o Amazonas, onde vivem cerca de 490 mil indígenas. Em relação ao território, 21,79% dos domicílios indígenas estão dentro de Terras Indígenas reconhecidas oficialmente, enquanto 78,21% estão localizados fora dessas áreas.

A distribuição populacional entre as regiões do país é a seguinte:

Norte – 44,48% da população indígena total

Nordeste – 31,22%

Centro-Oeste – 11,80%

Sudeste – 7,28%

Sul – 5,20%

Esses números mostram que os povos indígenas seguem tendo uma presença significativa no Brasil, tanto em áreas tradicionais quanto em contextos urbanos. O reconhecimento e a valorização de seus direitos continuam sendo fundamentais para a preservação de suas culturas e modos de vida.

Esses dados são fundamentais para refletirmos sobre a importância das políticas públicas voltadas à proteção dos povos indígenas e seus territórios.

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Curiosidade
O Canibalismo entre os Povos Indígenas no Brasil: Mito ou Realidade?

Gravura de Theodore de Bry, 1592, retratando ritual de canibalismo de índios tupinambás


Uma das práticas mais controversas atribuídas a alguns povos indígenas brasileiros no período pré-colonial foi o canibalismo ritualístico. Mas será que os indígenas realmente comiam carne humana? A resposta é sim, mas com um significado muito diferente do que muitos imaginam.

Canibalismo Como Ritual de Guerra

Entre algumas tribos, como os Tupinambás, a prática da antropofagia (ingestão de carne humana) era parte de um ritual de guerra e não uma necessidade alimentar. O objetivo não era simplesmente se alimentar da carne do inimigo, mas sim absorver sua força, coragem e espírito guerreiro.

O ritual ocorria após a captura de um prisioneiro inimigo, que era mantido na tribo por um período antes de ser sacrificado. Durante esse tempo, o cativo era tratado com respeito, recebia comida e participava das atividades da aldeia. No dia do ritual, era morto e sua carne consumida pelos guerreiros, como um ato simbólico de incorporação de suas qualidades.

O Impacto da Colonização e a Demonização da Prática

Quando os europeus chegaram ao Brasil, ficaram chocados ao testemunhar esses rituais. A ideia de um povo que consumia carne humana foi amplamente usada para justificar a colonização e a catequização forçada dos indígenas, considerados "selvagens" pelos europeus. No entanto, para os Tupinambás e outros grupos, esse era um costume cultural e religioso, não um ato de barbárie.

Com a colonização e a perseguição aos povos indígenas, essas práticas desapareceram. O canibalismo ritualístico, portanto, foi uma realidade em algumas tribos do Brasil, mas dentro de um contexto simbólico e espiritual, bem diferente da visão distorcida criada pelos colonizadores.

Curioso, não? O que parecia uma prática assustadora para os europeus era, para os indígenas, um ato de honra e respeito aos seus guerreiros e inimigos.
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Reflexão Final
Ao estudarmos a história dos povos indígenas no Brasil, percebemos que a colonização não foi apenas um encontro entre culturas, mas um processo marcado por violência e perda de identidades. No entanto, os indígenas resistiram e continuam a desempenhar um papel fundamental na sociedade brasileira.

E você, já parou para pensar na importância da cultura indígena para a formação do Brasil? Como podemos valorizar e respeitar esses povos na atualidade? Deixe seu comentário e participe desse debate!




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A Terrível "Inquisição Católica"!

Instituição medieval destinada a fazer averiguações sobre as heresias, bem como reprimi-las. Foi estabelecida em 1231 pelo Papa Gregório IX. Os acusados de heresia eram entregues ao poder civil para aplicação da penalidade.



A Inquisição católica: vigiava, perseguia e condenava aqueles que fossem suspeitos de praticar outras religiões. Exercia também uma severa vigilância sobre o comportamento moral dos fiéis e censurava toda a produção cultural bem como resistia fortemente a todas as inovações científicas. Na verdade, a Igreja receava que as ideias inovadoras conduzissem os crentes à dúvida religiosa e à contestação da autoridade do Papa.

O Processo Inquisitorial

Os inquisidores, monges dominicanos ou franciscanos, juntavam os habitantes locais nas igrejas. Eram convocados ali para confessar alguma heresia, caso fossem culpados dela, ou para denunciar quaisquer hereges que conhecessem. Mesmo se suspeitassem de que alguém era herege, deviam denunciar tal pessoa.
Qualquer um — homem, mulher, criança, ou escravo — podia acusar uma pessoa de heresia, sem receio de se ver confrontado com o acusado, ou de, mais tarde, sequer saber quem o havia denunciado. Os acusados raramente dispunham de alguém para os defender, visto que qualquer advogado ou testemunha em seu favor seria, ele próprio, acusado de ajudar e encobrir um herege. Assim, os acusados em geral se apresentavam sozinhos diante dos inquisidores, que eram, a um só tempo, promotores e juízes.
Os acusados dispunham, no máximo, de um mês para confessarem. Quer confessassem, quer não, começava a “inquisição” (do latim, inquisitio). Os acusados eram mantidos sob custódia, muitos em solitária, com pouca comida. Quando o cárcere do bispo estava repleto, usava-se a prisão civil. Quando ficava superlotada, convertiam-se prédios velhos em prisões.
Uma vez que se presumia que os acusados eram culpados, antes mesmo de começar o julgamento, os inquisidores utilizavam quatro métodos para induzi-los a confessar sua heresia. Primeiro, a ameaça de morte na estaca. Segundo, o confinamento em grilhões numa cela escura, úmida e reduzidíssima. Terceiro, visitantes lhes aplicavam pressão psicológica. E, por último, a tortura, que incluía o cavalete, a roldana, ou estrapada, e a tortura pelo fogo. Os monges ficavam de lado, esperando qualquer confissão. A absolvição era virtualmente impossível.

Penalidades
As sentenças eram declaradas aos domingos, na igreja ou numa praça pública, na presença dos clérigos. Uma sentença leve seria de penitências. Todavia, estas incluíam o uso obrigatório de uma cruz amarela de feltro costurada nas roupas, o que tornava quase impossível a obtenção de emprego. Ou a sentença seria de açoites públicos, de prisão, ou de ser entregue às autoridades seculares para a morte na fogueira.
As penas mais duras eram acompanhadas do confisco dos bens da pessoa condenada, que eram divididos entre a Igreja e o Estado. Os membros restantes da família de hereges sofriam assim tremendamente. As casas dos hereges, e dos que os haviam abrigado, eram derrubadas.

Também, gente já morta, denunciada como herege, era julgada postumamente. Se considerados culpados, seus corpos eram exumados e queimados, e suas propriedades eram confiscadas. De novo isso trazia indizível sofrimento aos inocentes membros restantes da família.
Esse era o processo geral seguido pela Inquisição medieval, com variações, dependendo da ocasião e do local.
   Em 1252, o Papa Inocêncio IV publicou sua bula Ad exstirpanda, autorizando oficialmente o emprego da tortura nos tribunais eclesiásticos da Inquisição. Regulamentos adicionais sobre o modo de utilizar a tortura foram promulgados pelos Papas Alexandre IV, Urbano IV e Clemente IV.

De início, não se permitia que os inquisidores eclesiásticos estivessem presentes quando se aplicava a tortura, porém os Papas Alexandre IV e Urbano IV removeram tal restrição. Isto permitia que a “inquirição” prosseguisse na câmara de torturas. Similarmente, conforme a autorização original, a tortura só deveria ser aplicada uma vez, mas os inquisidores papais conseguiram contornar a situação por pretenderem que outras sessões de tortura eram simples “prosseguimento” da primeira sessão.
Dentro em pouco, até as testemunhas estavam sendo torturadas, para certificar-se de que tinham denunciado todos os hereges que conheciam. Às vezes, um acusado que se confessasse herege era torturado mesmo depois de confessar. Segundo explica The Catholic Encyclopedia (Enciclopédia Católica), isto visava “obrigá-lo a testemunhar contra seus amigos e comparsas”. — Volume VIII, página 32.
Assim, o mecanismo inquisitorial foi acionado na primeira metade do século 13 EC, e usado durante vários séculos para esmagar qualquer pessoa que falasse, ou sequer pensasse, de modo diferente da Igreja Católica. Isso espalhou o terror por toda a Europa católica. Quando, perto do fim do século 15, a Inquisição começou a amainar na França e em outros países da Europa Ocidental e Central, ela reacendeu na Espanha.
A Inquisição Espanhola, autorizada pelo Papa Sisto IV, em 1478, foi inicialmente dirigida contra os marranos, ou judeus espanhóis, e os mouros, ou muçulmanos espanhóis. Suspeitava-se que muitos deles, que adotaram a fé católica por simples medo, continuavam a praticar em secreto sua religião original. Com o tempo, contudo, a Inquisição foi utilizada como arma terrível contra os protestantes e quaisquer outros dissidentes.
Da Espanha e de Portugal, a Inquisição espalhou-se para as colônias destas duas monarquias católicas, na América Central e do Sul, e para outras partes. Só acabou quando Napoleão invadiu a Espanha, no começo do século 19. Foi temporariamente restaurada depois da queda de Napoleão, mas foi finalmente suprimida em 1834.

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Jesus morreu em uma "Cruz"??? | #agentesdahistoria


A palavra 'Cruz' vem do latim 'Crux' e é entendida por muitos como instrumento de tortura no qual Jesus foi morto.

 É o símbolo mais comum do cristianismo, embora a cruz (com duas vigas), nunca tenha sido relatada no Novo Testamento.
  
A palavra grega traduzida é stau-rós, que no grego clássico significa apenas uma estaca reta
Foi cerca de 300 anos depois da morte de Cristo que alguns professos cristãos promoveram a ideia de que ele morreu numa cruz de duas vigas. Mas essa ideia se baseava na tradição e no uso errado da palavra grega stau·ros. É digno de nota que alguns desenhos antigos, que retratam execuções romanas, mostrem um único poste de madeira ou uma árvore.
O escritor e arqueólogo católico-romano Adolphe-Napoleon Didron disse: 

“A cruz tem sido adorada de forma similar, se não igual, à forma como se adora a Cristo; esse santo lenho é adorado quase da mesma maneira em que se adora o próprio Deus.”

Um Imperador romano preparava-se para a batalha e achou que precisava da ajuda dos deuses. Segundo tal estória, ele viu uma luz brilhante no céu, em forma duma cruz, e, junto com ela, as seguintes palavras: “Com este vencerás.” Adotando este sinal como estandarte para seu exército, passou a obter uma série de vitórias cruciais que o levaram a se tornar o único governante do Império Romano, em 324 EC. O herói desta estória famosa foi Constantino Magno. Desde aquele tempo, a Igreja Romana tornou-se a religião oficial do império e cresceu rápido em prestígio, popularidade e poder. Ao mesmo tempo, a cruz tornou-se o símbolo oficial da igreja — gradualmente veio a adornar prédios religiosos, foi erguida no alto de colinas e de montes, em cruzamentos e em praças públicas. Veio a ser pendurada nas paredes das casas e portada nos pescoços de milhões de pessoas.
Na realidade, há muitos tipos diferentes de cruzes. Observe:



É possível detectar a presença da cruz, seja de forma religiosa, mística ou esotérica, na história de povos distintos (e distantes) como os egípcios, celtas, persas, romanos, fenícios e índios americanos.

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Com a derrota de Napoleão: "Restauração e Revolução" (1815-1850)


Congresso de Viena





















Os anos finais do século XVIII e a primeira década do século XIX conheceram, na Europa (com consequências para outras regiões do mundo, como a América Latina), o impacto das forças revolucionárias liberadas pelo fortalecimento da burguesia e de suas ideologias, sobretudo após a explosão da Revolução Francesa, em 1789.   A reação das forças conservadoras ligadas ao absolutismo se deu na forma da Restauração, que se constituiu em um momento histórico de contenção das forças políticas e sociais liberadas pelas Revoluções Industrial e Francesa. A Restauração foi tornada possível pela derrota definitiva de Napoleão Bonaparte em Waterloo, no ano de 1815. 
  
Um momento crucial da Restauração foi o Congresso de Viena (1814-1815), no qual se reuniram os países europeus que derrotaram Napoleão Bonaparte, liderados pelos representantes das principais potências européias: Alexandre I, Czar da Rússia, Metternich, Primeiro-Ministro da Áustria, Castlereagh, Primeiro-Ministro da Inglaterra, e Frederico Guilherme III, Rei da Prússia.
  
Os objetivos fundamentais do Congresso de Viena eram a recomposição do Antigo Regime, ou seja, a ordem aristocrática e absolutista que predominava na Europa anteriormente ao ano de 1789, quando explodiu a Revolução Francesa, além de uma nova divisão de fronteiras na Europa que refletisse o poder militar das quatro grandes potências acima citadas. Para atingir estes objetivos, o Congresso de Viena propunha a intervenção militar em qualquer país onde houvesse a ameaça de revoluções de caráter liberal-burguês.
  
No entanto, os objetivos do Congresso de Viena não podiam ser totalmente alcançados, pois o mundo havia passado por grandes transformações, como a independência da América Latina (apoiada pela Inglaterra), a expansão da industrialização, além da natural dificuldade de reimplantação do absolutismo após anos de difusão das idéias liberais. Além disso, as potências que se reuniram no Congresso de Viena apresentavam sérias divergências internas, motivadas por rivalidades entre elas, pelo fortalecimento da burguesia, etc.
  
De todas as potências europeias, a Inglaterra foi a mais fortalecida, conquistando várias colônias, vendo seus interesses econômicos reconhecidos,principalmente através da abolição do tráfico internacional de escravos e do direito ao comércio e à livre navegação marítima, além, é claro, do enfraquecimento da França, tradicionalmente o mais importante rival da Inglaterra no continente europeu.
   
As outras potências vencedoras – Rússia, Prússia e Áustria – estabeleceram, ainda em 1815, a Santa Aliança, cujo objetivo principal era a ação militar para defender as monarquias europeias da ameaça revolucionária; suas tropas chegaram a intervir na Itália e na Espanha. A Santa Aliança enfrentou, no entanto, a oposição da Inglaterra e, na América, dos Estados Unidos que, através da Doutrina Monroe (1823), buscavam reagir a possíveis tentativas de recolonização, além de assegurar para si o comércio com os países recém-independentes da América Latina. 
  
Após a derrota da França nas guerras napoleônicas tinha-se, portanto, a impressão de que as idéias revolucionárias tinham sido contidas e a antiga ordem restaurada. Puro engano. O mundo nunca mais seria o mesmo. As idéias revolucionárias correram o mundo, inspirando movimentos, alguns vitoriosos, outros derrotados, em países exóticos e distantes, como o Haiti, onde negros que tinham sido escravos tomaram o poder, e o Brasil, onde inspiraram a Confederação do Equador, a Revolta Praieira e outros movimentos.
  
Embora a Europa e o resto do mundo até meados do século XIX fossem basicamente rurais, e a grande maioria da população vivesse no campo (somente na metade do século passado a Inglaterra se tornaria o primeiro país onde a maior parte das pessoas vivia em cidades), o capitalismo continuava a se desenvolver, assim como o comércio em escala mundial. As fábricas se espalhavam, sobretudo pela Europa ocidental, modificando a paisagem, aumentando o contingente da população operária, ao mesmo tempo fonte de lucros e inquietações para a burguesia. 
Em 1815, as fronteiras da Europa foram refeitas, quando suas raízes já haviam sido sacudidas pelos exércitos de Napoleão.

A agitação revolucionária manteve-se em caráter latente, formando-se no ano de 1820 numa série de revoluções liberais. Irrompendo em Cádis, entre as tropas que iriam partir para a América, a revolução forçou o monarca a restaurar o regime constitucional de 1812. Poucos meses depois, no Porto, uma revolução liberal não fundava a impor a junta governativa a convocação das Cortes Gerais e Constituintes da Nação Portuguesa. Na Itália, primeiro em Nápoles, e, no ano seguinte no Piemonte, eclodiram movimentos análogos. Finalmente, também em 1820, verificou-se o início da revolta grega em prol da luta contra os turcos opressores.

No entanto, após um período de fortalecimento da Restauração, as revoluções liberais voltaram a atingir a Europa. Já em 1820, movimentos revolucionários eclodiam em alguns países europeus, como Portugal, Espanha (onde se relacionavam às independências de suas colônias americanas) e em áreas da Alemanha e Itália. Mas foi em 1830 que uma onda revolucionária, iniciada na França, varreu grande parte da Europa.
 
D. Pedro IV - que havia
sido Pedro I no Brasil
Na França, a crise econômica e política geraram o descontentamento contra o rei Carlos X, da dinastia Bourbon, que procurava reviver o absolutismo. Em julho deste ano, o rei dissolvia a Câmara de Deputados e impunha a censura à imprensa, provocando a reação popular. Apoiado pela burguesia subiu ao poder um novo rei, Luís Felipe, que passou a governar sob uma monarquia constitucional e liberal.

  Em breve, outros países foram atingidos por movimentos revolucionários: na Polônia, a revolta tinha uma característica de luta pela independência nacional; na Itália, caráter liberal e nacional; na Alemanha, caráter liberal e nacional, onde a Prússia consegue em 1834 a União aduaneira (zollvenrein) também ocorreram revoluções na Bélgica, que fica independente da Holanda, na Espanha e em Portugal, onde D. Pedro IV (que havia sido Pedro I no Brasil) assegurou uma Constituição liberal, em 1834, derrotando forças absolutistas ligadas a seu irmão, D. Miguel.
 
Em 1848, novamente a Europa se viu envolvida por agitações revolucionárias. Envolvendo também o descontentamento de amplos setores da população – notadamente a burguesia e o proletariado urbano. Desta vez, no entanto, atuaram não somente motivações de caráter liberal ou nacional, mas também, pela primeira vez, elementos socialistas, que buscavam dar às revoltas um caráter mais profundamente social.

Na França, a monarquia de Luís Felipe, que havia subido ao poder em 1830, mantinha no poder um regime liberal muito limitado, baseado no voto censitário, que atendia somente aos interesses da alta burguesia conservadora. Entre 1846 e 1848, período de crise econômica, o governo tomou uma série de medidas para cercear a liberdade política, o que ocasionou a Revolução de Fevereiro, com a proclamação de um governo provisório republicano.
 
O novo governo proclamou uma série de reformas sociais, como a autorização para o funcionamento de sindicatos e a criação das Oficinas Nacionais, buscando combater o desemprego. Os conflitos entre os membros liberais e socialistas do governo republicano culminaram com a Revolução de Julho, quando os socialistas tentaram tomar o poder e fracassaram, seguindo-se eleições que tiveram como vitorioso Luís Bonaparte, apoiado pela burguesia.
  
Também na Itália, na Alemanha e na Áustria revoluções envolvendo elementos liberais, republicanos, socialistas e nacionalistas tiveram efeito. De um modo geral, estas revoluções foram derrotadas e sua principal consequência foi que a burguesia, antes uma força revolucionária, passou agora a ser um elemento social conservador, partidário da ordem, por temor ao socialismo e ao proletariado.
  
A Europa neste período não viu somente revoluções como forma de exprimir os descontentamentos sociais. Foi na Inglaterra que surgiu, pela primeira vez, um movimento operário envolvendo milhares de pessoas e se utilizando da política institucional. O cartismo, ou movimento da Carta do Povo, visava pressionar o governo inglês através de petições ou listas de assinaturas, com o objetivo de alcançar seis objetivos, tornados públicos em 1838: sufrágio universal masculino; eleições anuais para o Parlamento; voto secreto; igualdade de circunscrições eleitorais; abolição do censo de fortuna para os candidatos ao Parlamento; remuneração para os parlamentares eleitos. Neste mesmo ano, os cartistas pediam dez horas de trabalho diário. O cartismo atingiu o seu auge entre 1839 e 1842, declinando após, mas se mantendo ativo até depois de 1848.

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A incrível história dos "Relógios"!!!

Já que a História tem como um dos instrumentos de pesquisa 'o Tempo', vamos conhecer um pouco mais sobre o nosso contador, regulador, alguns diriam 'escravizador', e assim por diante - O Relógio.
O relógio é utilizado como medidor do tempo desde a Antiguidade em variados formatos. Os mais antigos eram os relógios de sol provavelmente usados pelos gnômons (a parte do relógio solar que possibilita a projeção da sombra)

O gnómon é a lâmina triangular neste relógio de sol.

A história registra que apareceu na Judeia mais ou menos 600 a.C., os relógios de água (clepsidras) e relógios de areia (ampulhetas).

 
 
Relógios de água e areia

Já em 850 da era atual, foi construído um relógio mecânico baseado em engrenagens e pesos. Quanto à construção do primeiro relógio mecânico existem algumas controvérsias. Uma corrente considera que o primeiro construtor de relógios foi o monge francês Gerbert, posteriormente Papa Silvestre II. 

Outros grandes construtores e aperfeiçoadores dos relógios foram; Ricardo de Walinfard (1344); Santigo de Dondis (1344) e o seu filho João de Dondis que ficou conhecido como "Horologius" e Henrique de Vick (1370). Já o primeiro relógio de bolso foi construído em Nuremberg por Pedro Henlein.

Em 1595 Galileu Galilei descobre a Lei do Pêndulo, ou seja 2.200 anos depois do aparecimento do primeiro relógio na Judeia.

Com os relógios mecânicos surgiu uma grande variedade de técnicas de registo da passagem do tempo. Os relógios deste tipo podem ser de pêndulo, de quartzo ou cronômetros. Mas sem dúvida alguma, os relógios mais precisos são os relógios atômicos.


Relógio de Sol

Por muitos séculos, a humanidade guiou-se pela sombra de um objeto projetada pelo sol, a sombra do gnomo, dos relógios de sol, para medir o tempo. Inicialmente, talvez no paleolítico ou neolítico, a medição por parte dos homens primitivos devia estar baseada na modificação do comprimento de sua própria sombra, que crescia até o meio dia e decrescia na medida que o dia se esgotava com a aproximação da noite, quando ele deveria estar de volta à segurança de seu abrigo. 

Posteriormente, a medição do tempo orientou-se para o calendário, para a identificação das estações do ano, que era informação essencial para as civilizações que praticavam a agricultura, em face da estreita dependência desta dos fatores climáticos, diretamente ligados à passagem das estações.

O mais antigo relógio de sol conhecido, foi construído por volta de 1500 AC no Egito, na época de Tutmosis III. Em pedra, na forma de um T, com uns 30 cm, suportando uma outra peça de mesmo comprimento e perpendicular. As linhas de hora eram marcadas na pedra a intervalos regulares. O T era voltado para o este na parte da manhã e a oeste na tarde. A posição da sombra da parte superior do T indicava a hora.

Relógio de Água
A clepsidra ou relógio de água foi um dos primeiros sistemas criados pelo Homem para medir o tempo. Consiste em dois recipientes, colocados em níveis diferentes: um na parte superior contendo o líquido, e outro, na parte inferior, com uma escala de níveis interna, inicialmente vazio. Através de uma abertura parcialmente controlada no recipiente superior, o liquido passa para o inferior, observando-se o tempo decorrido pela escala.

Este tipo de instrumento evoluiu tecnicamente de forma a permitir uma medição do tempo com relativa exatidão. A clepsidra mais antiga foi encontrada em Karnak, no Egito, datando do reinado de Amenhotep III. Outros exemplares foram identificados na Grécia antiga, (c. 500 a.C.). Na China, o astrônomo Y. Hang inventou uma clepsidra que indicava os movimentos dos planetas.

Relógio de Areia
 A ampulheta é um dos meios mais antigos de medir o tempo. É constituída por duas âmbulas (recipientes cônicos ou cilíndricos) transparentes que comunicam entre si por um pequeno orifício que deixa passar uma quantidade determinada de areia de uma para a outra - o tempo decorrido a passar de uma âmbula para a outra corresponde, em princípio, sempre ao mesmo período de tempo.

Eram frequentemente utilizadas em navios (onde se usavam ampulhetas de meia hora), em igrejas e, no início da utilização do telefone, servia, em alguns locais, para contar o tempo dispendido numa chamada (no Norte de Portugal, por exemplo, esta prática era comum em algumas casas comerciais).

Foi muito utilizada na arte para simbolizar a transitoriedade da vida. A morte, por exemplo, é muitas vezes representada como um esqueleto com uma foice numa das mãos e uma ampulheta na outra.

Relógio de Bolso

Por volta de 1500, Pedro Henlein, na cidade de Nuremberg, fabricou o primeiro relógio de bolso, denominado pela forma, tamanho e procedência, de "Ovo de Nuremberg". 

Era todo de ferro, com corda para quarenta horas e precursor da "Mola Espiral". Era constituído por um indicador e por um complexo mecanismo para badalar. Foi sem dúvida, em muitos países, o acelerador para diversas invenções e melhorias, principalmente na Europa , desenvolvendo-se de maneira vertiginosa à indústria relojeira.

Relógio de Pulso
Os primeiros relógios usados pelas pessoas foram os relógios de bolso. Eram muito raros e tidos como verdadeiras jóias, pois poucos tinham um. Os relógios de bolso eram símbolo da alta aristocracia.

O relógio de pulso foi inventado pela empresa Patek Philippe no fim do século XIX, embora costume-se atribuir, erroneamente, a Santos Dumont os louros da invenção desta modalidade de relógio.

De facto, a Princesa Isabel, então exilada na França, deu-lhe uma medalha de São João Batista. Preocupado que o uso da medalha no pescoço pudesse machucá-lo, Santos Dumont colocou-a no pulso. Então teve a ideia de amarrar um relógio no pulso para controlar melhor os seus tempos de vôo. Não se sabe ao certo, mas outro motivo seria que durante os voos, ele teria dificuldade de tirar o relógio do bolso. Santos Dumont encomendou então a seu amigo joalheiro, Louis Cartier, um relógio que ficasse preso ao pulso, para que ele pudesse cronometrar melhor as suas experiências aéreas. Em março de 1904, Cartier apresentou o que é considerado erroneamente o primeiro relógio de pulso do mundo, batizado de Santos, com pulseira de couro. 

No entanto, os relógios de pulso já eram conhecidos e usados anteriormente. O que acontecia é que eram adereços essencialmente femininos e eram geralmente feitos sob encomenda. Na verdade, a Santos Dumont coube a popularização do relógio de pulso entre os homens. 

A Primeira Guerra Mundial foi o marco definitivo no uso do relógio de pulso, já que os soldados precisavam de uma forma prática de saber as horas.

Relógio Digital
O Relógio Digital é um tipo de relógio que utiliza meios eletrônicos para controlar as horas. Utiliza energia elétrica, que é normalmente suprida por uma bateria de pequena carga. Ele utiliza um cristal piezoelétrico que gera pulsos elétricos a uma freqüência constante (usualmente 50 ou 60Hz). Geralmente, as horas são exibidas através de um visor de LEDs ou cristal líquido.

Relógios digitais são pequenos, baratos e precisos. Por isso, são associados a praticamente todos os aparelhos eletrônicos, como aparelhos de som, televisores, microondas e telemóveis. Entretanto, os relógios de pulso analógicos são mais populares do que os relógios digitais. Uma variação bastante comum é o relógio analógico a quartz.

Relógio Atômico
Por fim, o relógio atômico é o modelo mais preciso de todos. Criado em 1954, ele possui um oscilador de quartzo que fornece uma corrente elétrica alternada. Geralmente é muito usado nos mais diferentes objetivos científicos, pois possui um ritmo preciso, que produz uma onda luminosa.

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