Com a derrota de Napoleão: "Restauração e Revolução" (1815-1850)


Congresso de Viena





















Os anos finais do século XVIII e a primeira década do século XIX conheceram, na Europa (com consequências para outras regiões do mundo, como a América Latina), o impacto das forças revolucionárias liberadas pelo fortalecimento da burguesia e de suas ideologias, sobretudo após a explosão da Revolução Francesa, em 1789.   A reação das forças conservadoras ligadas ao absolutismo se deu na forma da Restauração, que se constituiu em um momento histórico de contenção das forças políticas e sociais liberadas pelas Revoluções Industrial e Francesa. A Restauração foi tornada possível pela derrota definitiva de Napoleão Bonaparte em Waterloo, no ano de 1815. 
  
Um momento crucial da Restauração foi o Congresso de Viena (1814-1815), no qual se reuniram os países europeus que derrotaram Napoleão Bonaparte, liderados pelos representantes das principais potências européias: Alexandre I, Czar da Rússia, Metternich, Primeiro-Ministro da Áustria, Castlereagh, Primeiro-Ministro da Inglaterra, e Frederico Guilherme III, Rei da Prússia.
  
Os objetivos fundamentais do Congresso de Viena eram a recomposição do Antigo Regime, ou seja, a ordem aristocrática e absolutista que predominava na Europa anteriormente ao ano de 1789, quando explodiu a Revolução Francesa, além de uma nova divisão de fronteiras na Europa que refletisse o poder militar das quatro grandes potências acima citadas. Para atingir estes objetivos, o Congresso de Viena propunha a intervenção militar em qualquer país onde houvesse a ameaça de revoluções de caráter liberal-burguês.
  
No entanto, os objetivos do Congresso de Viena não podiam ser totalmente alcançados, pois o mundo havia passado por grandes transformações, como a independência da América Latina (apoiada pela Inglaterra), a expansão da industrialização, além da natural dificuldade de reimplantação do absolutismo após anos de difusão das idéias liberais. Além disso, as potências que se reuniram no Congresso de Viena apresentavam sérias divergências internas, motivadas por rivalidades entre elas, pelo fortalecimento da burguesia, etc.
  
De todas as potências europeias, a Inglaterra foi a mais fortalecida, conquistando várias colônias, vendo seus interesses econômicos reconhecidos,principalmente através da abolição do tráfico internacional de escravos e do direito ao comércio e à livre navegação marítima, além, é claro, do enfraquecimento da França, tradicionalmente o mais importante rival da Inglaterra no continente europeu.
   
As outras potências vencedoras – Rússia, Prússia e Áustria – estabeleceram, ainda em 1815, a Santa Aliança, cujo objetivo principal era a ação militar para defender as monarquias europeias da ameaça revolucionária; suas tropas chegaram a intervir na Itália e na Espanha. A Santa Aliança enfrentou, no entanto, a oposição da Inglaterra e, na América, dos Estados Unidos que, através da Doutrina Monroe (1823), buscavam reagir a possíveis tentativas de recolonização, além de assegurar para si o comércio com os países recém-independentes da América Latina. 
  
Após a derrota da França nas guerras napoleônicas tinha-se, portanto, a impressão de que as idéias revolucionárias tinham sido contidas e a antiga ordem restaurada. Puro engano. O mundo nunca mais seria o mesmo. As idéias revolucionárias correram o mundo, inspirando movimentos, alguns vitoriosos, outros derrotados, em países exóticos e distantes, como o Haiti, onde negros que tinham sido escravos tomaram o poder, e o Brasil, onde inspiraram a Confederação do Equador, a Revolta Praieira e outros movimentos.
  
Embora a Europa e o resto do mundo até meados do século XIX fossem basicamente rurais, e a grande maioria da população vivesse no campo (somente na metade do século passado a Inglaterra se tornaria o primeiro país onde a maior parte das pessoas vivia em cidades), o capitalismo continuava a se desenvolver, assim como o comércio em escala mundial. As fábricas se espalhavam, sobretudo pela Europa ocidental, modificando a paisagem, aumentando o contingente da população operária, ao mesmo tempo fonte de lucros e inquietações para a burguesia. 
Em 1815, as fronteiras da Europa foram refeitas, quando suas raízes já haviam sido sacudidas pelos exércitos de Napoleão.

A agitação revolucionária manteve-se em caráter latente, formando-se no ano de 1820 numa série de revoluções liberais. Irrompendo em Cádis, entre as tropas que iriam partir para a América, a revolução forçou o monarca a restaurar o regime constitucional de 1812. Poucos meses depois, no Porto, uma revolução liberal não fundava a impor a junta governativa a convocação das Cortes Gerais e Constituintes da Nação Portuguesa. Na Itália, primeiro em Nápoles, e, no ano seguinte no Piemonte, eclodiram movimentos análogos. Finalmente, também em 1820, verificou-se o início da revolta grega em prol da luta contra os turcos opressores.

No entanto, após um período de fortalecimento da Restauração, as revoluções liberais voltaram a atingir a Europa. Já em 1820, movimentos revolucionários eclodiam em alguns países europeus, como Portugal, Espanha (onde se relacionavam às independências de suas colônias americanas) e em áreas da Alemanha e Itália. Mas foi em 1830 que uma onda revolucionária, iniciada na França, varreu grande parte da Europa.
 
D. Pedro IV - que havia
sido Pedro I no Brasil
Na França, a crise econômica e política geraram o descontentamento contra o rei Carlos X, da dinastia Bourbon, que procurava reviver o absolutismo. Em julho deste ano, o rei dissolvia a Câmara de Deputados e impunha a censura à imprensa, provocando a reação popular. Apoiado pela burguesia subiu ao poder um novo rei, Luís Felipe, que passou a governar sob uma monarquia constitucional e liberal.

  Em breve, outros países foram atingidos por movimentos revolucionários: na Polônia, a revolta tinha uma característica de luta pela independência nacional; na Itália, caráter liberal e nacional; na Alemanha, caráter liberal e nacional, onde a Prússia consegue em 1834 a União aduaneira (zollvenrein) também ocorreram revoluções na Bélgica, que fica independente da Holanda, na Espanha e em Portugal, onde D. Pedro IV (que havia sido Pedro I no Brasil) assegurou uma Constituição liberal, em 1834, derrotando forças absolutistas ligadas a seu irmão, D. Miguel.
 
Em 1848, novamente a Europa se viu envolvida por agitações revolucionárias. Envolvendo também o descontentamento de amplos setores da população – notadamente a burguesia e o proletariado urbano. Desta vez, no entanto, atuaram não somente motivações de caráter liberal ou nacional, mas também, pela primeira vez, elementos socialistas, que buscavam dar às revoltas um caráter mais profundamente social.

Na França, a monarquia de Luís Felipe, que havia subido ao poder em 1830, mantinha no poder um regime liberal muito limitado, baseado no voto censitário, que atendia somente aos interesses da alta burguesia conservadora. Entre 1846 e 1848, período de crise econômica, o governo tomou uma série de medidas para cercear a liberdade política, o que ocasionou a Revolução de Fevereiro, com a proclamação de um governo provisório republicano.
 
O novo governo proclamou uma série de reformas sociais, como a autorização para o funcionamento de sindicatos e a criação das Oficinas Nacionais, buscando combater o desemprego. Os conflitos entre os membros liberais e socialistas do governo republicano culminaram com a Revolução de Julho, quando os socialistas tentaram tomar o poder e fracassaram, seguindo-se eleições que tiveram como vitorioso Luís Bonaparte, apoiado pela burguesia.
  
Também na Itália, na Alemanha e na Áustria revoluções envolvendo elementos liberais, republicanos, socialistas e nacionalistas tiveram efeito. De um modo geral, estas revoluções foram derrotadas e sua principal consequência foi que a burguesia, antes uma força revolucionária, passou agora a ser um elemento social conservador, partidário da ordem, por temor ao socialismo e ao proletariado.
  
A Europa neste período não viu somente revoluções como forma de exprimir os descontentamentos sociais. Foi na Inglaterra que surgiu, pela primeira vez, um movimento operário envolvendo milhares de pessoas e se utilizando da política institucional. O cartismo, ou movimento da Carta do Povo, visava pressionar o governo inglês através de petições ou listas de assinaturas, com o objetivo de alcançar seis objetivos, tornados públicos em 1838: sufrágio universal masculino; eleições anuais para o Parlamento; voto secreto; igualdade de circunscrições eleitorais; abolição do censo de fortuna para os candidatos ao Parlamento; remuneração para os parlamentares eleitos. Neste mesmo ano, os cartistas pediam dez horas de trabalho diário. O cartismo atingiu o seu auge entre 1839 e 1842, declinando após, mas se mantendo ativo até depois de 1848.

Para saber mais...

Verifique as fontes na página de referências bibliográficas.


Comentários

  1. Sou o Gustavo dos santos do 9C e estou fazendo o circuito online pra ganhar um ponto na média, eu aprendi Os anos finais do século XVIII e a primeira década do século XIX conheceram, na Europa (com conseqüências para outras regiões do mundo, como a América Latina), o impacto das forças revolucionárias liberadas pelo fortalecimento da burguesia e de suas ideologias, sobretudo após a explosão da Revolução Francesa, em 1789. A reação das forças conservadoras ligadas ao absolutismo se deu na forma da Restauração, que se constituiu em um momento histórico de contenção das forças políticas e sociais liberadas pelas Revoluções Industrial e Francesa. A Restauração foi tornada possível pela derrota definitiva de Napoleão Bonaparte em Waterloo, no ano de 1815.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

✨ Obrigado pelo seu comentário! ✨
Sua participação enriquece este espaço e ajuda a construir o aprendizado de forma coletiva. Fique à vontade para continuar trocando ideias por aqui! 🚀📚😊